Quando chegaram à região, a partir de 1869, os imigrantes alemães, em especial os oriundos da Westfália, trouxeram consigo costumes e tradições que os descendentes mantiveram ao longo dos anos, representando hoje parte da cultura westfaliana. Não menos importantes, também outras etnias se inserem nessa cultura, como a italiana, a africana e a portuguesa que traz como legado a língua oficial do país.
No entanto, a cultura westfaliana tem alguns diferenciais em que se destaca o tradicional sapato-de-pau, o dialeto Plattdüütsch e a arquitetura enxaimel.
Os imigrantes westfalianos, vindos de uma região próxima à Holanda com altitude próxima ao nível do mar e com áreas úmidas, estavam acostumados a utilizar um sapato feito integralmente de madeira, que os protegia do frio e da umidade. Estes costumes foram trazidos com a imigração. Como muitos tinham experiência como artesãos, logo apareceram pessoas que começaram a fabricar o sapato-de-pau, como é chamado hoje, continuando, assim o costume de seu uso na sua nova pátria. Como fabricantes do sapato-de-pau podem ser considerados sobrenomes como Brockmann, Wessel e Brune.
O dialeto Plattdüütsch é hoje ainda falado e entendido pela grande maioria da população, sendo, inclusive, em muitas famílias, a primeira língua a ser ensinada para os filhos e a principal a ser falada. Originário do norte da Alemanha e fazendo parte da língua saxônica, o dialeto é semelhante à língua holandesa e tem uma estreita relação com a língua inglesa, que é anglo-saxônica. No entanto, apesar de ser oriundo de uma região que integra atualmente a Alemanha, não guarda uma semelhança muito grande com a língua alemã.
Considerando que as pessoas que usavam o sapato-de-pau também falavam uma língua diferente que outros descendentes alemães, o dialeto tornou-se conhecido como sapato-de-pau. Mais recentemente, um grupo de descendentes começou a organizar encontros a cada dois anos, conhecidos como Encontros dos Sapato-de-Pau, buscando valorizar e preservar o dialeto entre os descendentes.
Em termos da arquitetura trazida pelos imigrantes, muitas das casas construídas em estilo enxaimel pelos primeiros moradores ainda hoje existem, fazendo parte do patrimônio arquitetônico do município. Muitos proprietários restauraram estas construções com recursos próprios, mantendo-as de forma original e utilizando-as como moradia.
Além desses diferenciais, observa-se também o espírito associativo que os levou a fundar, nas diversas localidades, associações, surgindo assim a comunidade escolar, a comunidade religiosa e a sociedade do canto coral. Desta organização de moradores existem hoje escolas e igrejas nas diversas localidades que formam o município.
As escolas eram todas comunitárias e hoje são municipais em função da legislação do Ministério da Educação que obrigou os municípios a aplicar 25% das suas receitas em escolas municipais na educação das séries do nível fundamental, o que inviabilizou a manutenção de escolas comunitárias.
A primeira comunidade escolar a ser formada foi em 1872 na Linha Frank, com o nome de Julio de Castilhos, e a segunda foi organizada na Linha Schmidt em 1883, com o nome de Evangelische Schulgemeinde Pikade Schmidt. As demais comunidades, de Berlim e Paissandu, organizaram logo em seguida as suas comunidades escolares. A comunidade que se ocupava com a educação dos seus filhos também assumia a manutenção do cemitério. Desta forma, toda a comunidade se envolvia com a educação e não, somente, os pais dos alunos. Assim, nas localidades em que não existia ainda uma comunidade religiosa própria, havia um cemitério, como foram os casos da Linha Schmidt e de Paissandu.
A comunidade religiosa mais antiga é a da Linha Frank, cuja igreja é uma das mais antigas da região, tendo mais de 100 anos. A comunidade recebeu a denominação de Zionsgemeinde e nos seus registros consta o batismo do ilustre ex-presidente do Brasil, general Ernesto Geisel. Em 1878, na atual localidade de Berlim, foi fundada a comunidade religiosa Olavo Bilac que também assumiu a responsabilidade da Escola Particular Olavo Bilac. No entanto, a comunidade somente construiu a sua própria igreja em 1962, sendo que até então freqüentou cultos na igreja da Linha Frank. Na localidade de Paissandu foi organizada a comunidade escolar em 1893, iniciando com a construção de uma escola, em que eram também realizados cultos religiosos. A referida sociedade mudou o nome para Comunidade Escolar Silveira Martins no ano de 1939. Como a comunidade religiosa pertencia a Linha Frank, sendo, que em 1986, com a fundação da Comunidade Evangélica Silveira Martins construiu, em 1990, a sua própria igreja. A comunidade Evangélica de Linha Schmidt somente foi organizada, a partir de 1983, com a fundação Comunidade Evangélica Bom Pastor. Até esta data, os moradores faziam parte da comunidade de Linha Frank e de Teutônia, cuja comunidade, de nome Paz, foi fundada em 1884.
Atualmente existem no município também igrejas de outras religiões, como a Católica e Assembléia de Deus.
Da vontade dos antepassados em preservar seus costumes, existe hoje no município o coral mais antigo do interior do Rio Grande do Sul, que é a Sociedade de Cantores Aliança de Linha Frank, fundada em 7 de maio de 1877 com o nome de Deutscher Sängerbund, cujos integrantes já se reuniam e cantavam a partir de 1870, conforme registros no Livro de Atas. Outro coral é a Sociedade de Cantores Recreio que, em 2004, completou o seu centenário. Além desses, existem a Sociedade de Cantores Aliança de Berlim, a Sociedade de Cantores Justiça de Linha Schmidt e a Sociedade de Cantores Silveira Martins. Para dirigir os corais, surgiram vários regentes, entre estes se encontram sobrenomes como, Beckmann, Behne, Böhmer, Dreyer, Dahmer, Magedanz, Grave e Ahlert.
Mais recentemente, com os encontros de famílias, surgiu o Coral da Associação Cultural da Família Ahlert.
As senhoras também se organizaram e dessa forma existem diversos grupos, entre estes, o Coro de Senhoras da OASE de Berlim, Coro de Senhoras de Linha Frank, Coro de Senhoras de Paissandu, Coro de Senhoras de Linha Schmidt e Coro de Senhoras Unidos Venceremos. As senhoras, além de se preocupar com o canto coral e a religião, também desenvolvem trabalhos de artesanato que são vendidos em feiras e encontros festivos.
Mas, os descendentes não preservaram somente os costumes da cultura e do trabalho. Assim, após cada jornada, costumam apreciar o lazer, cultivando a dança, a música e esportes. Esses são momentos de alegria e prazer, e uma das principais festas é representada pelo tradicional Kerb, em que é comemorado o aniversário da inauguração da Igreja. A festa acontece tanto na casa das famílias com uma vasta gastronomia que nos primórdios durava três dias, quanto em salões com os tradicionais bailes. Assim, desde a colonização houve a preocupação de moradores, em cada localidade, construir um salão de baile. No início estes salões eram explorados por particulares, não sendo comunitários, sendo que mais tarde foram transformados em sociedades culturais e esportivas. Entre antigos detentores de salões figuram nomes como Markus, Dahmer, Schröer, Hamester, Redecker e Lindemann.
Com a existência dos bailes, em cada localidade surgiram interessados em música nas mais diferentes famílias. Em muitos os mesmos se uniam formando uma orquestra, chamada na época de Jazz. Outros se apresentavam de forma independente, animando fandangos, que eram realizados principalmente em residências particulares. Nesse contexto, foram importantes o Jazz Brasil, o Jazz Não Nega, a Banda Maringá e Henrique Üebel, o homem orquestra que tocava sete instrumentos ao mesmo tempo. Atualmente, um conjunto musical de renome é a Orquestra La Montanara.
Para preservar estes costumes, surgiu em julho de 1995, o grupo de danças Westfälische Tanzgruppe. Com a finalidade de propiciar entre os jovens o cultivo e preservação da cultura westfaliana, o grupo permite, ao mesmo tempo, aos seus integrantes, se divertirem e divulgarem os costumes e tradições.
Ao longo de sua existência, o grupo já esteve na Alemanha, onde participou de um encontro internacional do folclore. Atualmente, é uma atração especial em todos os locais por onde se apresenta com a sua indumentária e com o seu típico calçado de madeira, o sapato-de-pau.
Na Westfália, o futebol também é tradição desde 1941, com a criação do Flamengo Futebol Clube. Com a característica competitiva dos westfalianos, surgiu no ano seguinte o Clube Esportivo Fluminense. Os dois clubes, ao se defrontarem, transformam a partida no principal clássico, conhecido como FlaFlu.
Nas demais localidades também o futebol é apreciado por todos. Assim, existem várias outras equipes, como o Esporte Clube Juventude, Clube Esportivo Esperança, ambos de Berlim, o Esporte Clube Palmeiras de Paissandu e o Esporte Clube Guarani de Silveira Martins.
Recentemente o futebol deixou de ser um esporte exclusivamente do sexo masculino. As entidades esportivas criaram as suas equipes de futebol feminino, sendo algumas, inclusive, de destaque na região.


